Você já sentiu que, por mais que se esforce, algo o impede de prosperar plenamente? Seja na carreira, nos relacionamentos ou nas finanças, parece haver um freio invisível puxando você para trás. Muitas vezes, a raiz desses bloqueios não está em nossas ações presentes, mas em nossa conexão mais fundamental: a relação com nossos pais. Dentro da abordagem das Constelações Familiares de Bert Hellinger, existe um conceito profundo e transformador chamado “tomar os pais”.
Este não é um ato de submissão ou de concordar com erros do passado. É uma jornada interna de reconciliação que libera o fluxo da vida e abre as portas para a prosperidade sistêmica. Neste artigo, vamos mergulhar fundo no que significa “tomar os pais”, explorando os quatro estágios desse processo, sua conexão com as Leis do Amor e como essa postura interna pode revolucionar sua vida.
A Ilusão da Transcendência: Por Que Negar a Origem Nos Adoece?
Muitos caminhos, especialmente os espirituais, nos incentivam a transcender o terreno, a focar no divino e a nos desapegar dos laços familiares. Acreditamos que, ao nos distanciarmos dos dramas, dores e imperfeições de nossa família, estamos evoluindo. No entanto, a sabedoria sistêmica nos mostra um paradoxo crucial: não é possível transcender aquilo que não foi primeiro integrado.
Tentar “pular” a etapa de honrar e integrar nossa origem é como construir uma casa sem fundação. Podemos até meditar pela paz mundial, mas se carregamos um conflito não resolvido com aqueles que nos deram a vida, uma parte de nossa energia vital estará para sempre comprometida.
Esse conflito interno se manifesta externamente como cansaço, sobrecarga e bloqueios, um sintoma claro de quem ainda não conseguiu tomar os pais.
A jornada para a verdadeira plenitude começa com um retorno à base, um movimento de olhar para os pais não de cima, mas de um lugar de humildade.
A Jornada para Tomar os Pais: Os 4 Passos da Reconciliação
Com base na experiência de décadas de trabalho com Constelações Familiares, o processo de “tomar os pais” pode ser compreendido em quatro estágios evolutivos. Identificar em qual deles você se encontra é o primeiro passo para a mudança.
Passo 1: Suportar – A Obrigação Distante
Neste primeiro estágio, a relação é mantida por um senso de dever. Visitamos, ligamos, damos presentes, mas internamente há um abismo. É a fase do julgamento velado. Olhamos para o estilo de vida de nossos pais, suas escolhas, o que comem, o que assistem na TV, e nos sentimos superiores, mais evoluídos.
Estamos ali, suportando a situação por educação ou obrigação espiritual, mas nosso coração está fechado.
Essa postura arrogante, mesmo que inconsciente, nos coloca em uma posição “maior” que eles, o que gera um enorme peso e nos desconecta da força que poderia fluir deles para nós.
É a antítese do movimento de tomar os pais.
Passo 2: Aceitar – A Compreensão com Pena
Aqui, damos um passo importante. Começamos a nos interessar pela história de nossos pais. Descobrimos as dificuldades que enfrentaram, as dores que carregaram, a falta que sentiram. Surge a compreensão: “Como eles poderiam me dar algo que eles mesmos não receberam?”. Usando uma metáfora, é como se esperássemos um copo cheio de água, mas eles só pudessem nos dar dois dedos. Nesta fase, paramos de reclamar e aceitamos os “dois dedos”.
O perigo aqui é que essa aceitação muitas vezes vem carregada de pena. “Coitado do meu pai, coitada da minha mãe”. Embora seja um avanço em relação a suportar, a pena ainda nos mantém em uma posição de superioridade.
Olhamos de cima para baixo, com compaixão, mas ainda como o adulto que entende a criança ferida. Isso ainda não é “tomar”.
Passo 3: Concordar – O “Sim” que Liberta
Este é o grande ponto de virada. Ir além de aceitar e chegar a concordar. Concordar é dizer “Sim” a tudo, exatamente como foi. “Sim” à história difícil do meu pai. “Sim” ao destino da minha mãe. “Sim” à nossa história juntos. A palavra-chave aqui é força. Em vez de ver as dificuldades como uma falta, começamos a perceber a imensa força necessária para sobreviver a tudo aquilo.
Os “dois dedos de água” do passo anterior se transformam. Percebemos que naquela pequena porção não havia escassez, mas a essência concentrada de tudo o que precisávamos para iniciar nossas próprias batalhas e transformações.
O pai foi o certo, a mãe foi a certa. Deixamos a pena de lado e passamos a admirar a força de seus destinos. Essa concordância nos diminui de tamanho, nos colocando no nosso lugar de filhos, e nos conecta a um poder ancestral gigantesco.
Passo 4: Tomar (Incorporar) – A Integração da Força
Este é o estágio final, a tradução do alemão “nehmen”. Tomar é incorporar. É beber a água, é se tornar um com a origem. O grande medo que muitos sentem é: “Se eu incorporar meu pai alcoólatra, também me tornarei um?”. Bert Hellinger explica o belo paradoxo que acontece aqui.
Este é o estágio final, que corresponde ao movimento que em alemão se chama “nehmen”. Mais do que a tradução literal ‘tomar’, o sentido aqui é de incorporar.
Quando nos colocamos em uma postura de total humildade, sem fazer contas do que é “bom” ou “ruim”, e dizemos “Sim, eu tomo tudo”, algo mágico acontece. Este é o poder contido no ato de tomar os pais.
Apenas a força entra em nós. O resto – a dor, o vício, a escória – permanece do lado de fora, pois não encontra ressonância em nossa postura de humildade.
É um processo ativo: eu vou até meus pais (em espírito) e inspiro tudo o que eles são.
Ao fazer isso, não corro o risco de me intoxicar; pelo contrário, eu integro a força que os manteve vivos e a transformo em combustível para a minha própria vida.
As 3 Leis Sistêmicas e a Relação com a Prosperidade Sistêmica
Essa jornada está intrinsecamente ligada às três Leis Sistêmicas (ou Ordens do Amor) de Bert Hellinger, que regem todos os sistemas familiares.
- Lei do Pertencimento: Todos os membros de uma família têm o direito igual de pertencer. Quando julgamos e excluímos mentalmente partes de nossos pais, violamos essa lei, criando emaranhamentos que afetam nossa vida.
- Lei da Hierarquia (Ordem): Quem veio antes tem precedência. Nossos pais vieram antes. Eles nos deram a vida, o bem maior. Nós recebemos. “Tomar os pais” é o ato máximo de honrar essa hierarquia, nos colocando em nosso lugar de “pequenos” diante deles. É somente como pequenos que podemos receber a força dos grandes.
- Lei do Equilíbrio (Dar e Receber): A única relação onde o equilíbrio é diferente é com os pais. É impossível “pagar” pela vida que recebemos. A forma de equilibrar essa balança é tomando a vida plenamente, com gratidão, e passando-a adiante, seja através de filhos, projetos ou de uma vida próspera e realizada.
A prosperidade sistêmica é o resultado natural de estar em harmonia com essas leis. Quando tomamos nossos pais, o fluxo da vida, que vem deles e passa por nós, é desbloqueado. A energia que antes era gasta em conflitos internos, julgamentos e lealdades invisíveis fica livre para ser investida em nossa saúde, carreira e relacionamentos.
Tomar os Pais – O Caminho para a Vida Plena
“Tomar os pais” não é um evento único, mas um processo contínuo de amadurecimento. É a jornada de sair de uma postura arrogante e infantil de julgamento para uma postura humilde e adulta de gratidão. Ao concordar com o destino de nossos pais e integrar sua força, não estamos apenas curando nossa relação com eles, mas curando nossa relação com a própria vida.
A prosperidade, em seu sentido mais amplo, floresce quando estamos enraizados em nossa origem. Ao tomar a vida como ela nos foi dada, através de quem nos foi dada, sem querer tirar nem pôr, nós finalmente nos tornamos livres para viver nosso próprio destino com toda a força de nossos ancestrais nos impulsionando.
5 Perguntas para Reflexão:
- Em relação aos seus pais, em qual dos quatro estágios (suportar, aceitar, concordar, tomar) você se reconhece mais hoje?
- Qual história ou característica do seu pai ou da sua mãe você julga e secretamente teme se tornar igual?
- Deixando a dor de lado por um instante, que força você consegue enxergar na história de vida e nas dificuldades que seus pais superaram?
- Em que área da sua vida (financeira, amorosa, profissional) você sente que a prosperidade não flui e como isso poderia se relacionar com sua postura em relação aos seus pais?
- Se você se imaginasse em um abraço espiritual com seus pais, o que o impediria de “inspirar” tudo o que eles são, sem restrições?
Com carinho sempre
Celina Cruz – Terapeuta Integrativa e Consteladora Familiar Sistêmica
Sentiu o chamado para iniciar sua própria jornada de tomar os pais? A sessão individual de Constelação é o espaço seguro para dar o primeiro passo. Vamos transformar esse entendimento em força para a sua vida.
